domingo, 21 de agosto de 2011

Uma Linda e Genial Senhora Fez Aniversário Ontem!!!

"Minha Cidade

Eu sou a dureza desses morros,
Revirados,
Enflorados,
Lascados a machado,
Lanhados, lacerados.
Queimados pelo fogo.
Pastados.
Calcinados
E renascidos.
Minha vida,
Meus sentidos,
Minha estética,
Todas as vibrações
de minha sensibilidade
de mulher,
Têm, aqui, suas raízes.

Eu sou a menina feia
da ponte da Lapa.
Eu sou Aninha".

Cora Coralina

sábado, 23 de julho de 2011

Amor Caipira

Minha frô de maracujá
Meu pé de macaxera
Da minha vida abro a portera
Pra modi ocê entrá

Tantos dia e tantas noite
Andava sem eira nem beira
Da estrada comi puera
Da vida levei açoite

Mas na noite ocê veio
Iguar quenem um crarão
Alumiô a iscuridão
Mandou imbora meus anceio

E hoje, pra alegrá a vida intêra
É só nocê eu pensá
Minha frô de maracujá
Meu pé de macaxera

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Quando Eu Era Criança

Quando eu era criança
Contava os dias,
Cantava no chuveiro,
Subia em arvores,
Pulava no rio,
Fantasiava formas
Para as nuvens,
Pintava relogios
Em meu proprio pulso,
Contava estrelas,
Tinha medo do escuro,
Fingia doença
Pra cabular aula,
Sorria um sorriso
Sincero e chorava
Um choro sentido,
Amava meu amigo
Como amava a samambaia
Que havia em meu quintal.

Confuso no Tempo

Corre o carro
Escarro escorre
Ou vive ou morre
Ou acende o cigarro

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Amigo J.

Poeta,
Não conheço tua dor
Mas tenho dor imensa
Ao te ver como hoje vi

Algo que lhe doía
Transparecia em tua sombra
Tua alma então chorava
E de lagrimas te cobria

Te matas e a mim
Lanças dor imensa
Me atordoando
E entristecendo

Poeta, salva-te agora
Que ainda há tempo
Pra mais um verso
Até raiar o dia.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Saudosismo

Meu grande amigo
Há muito tempo não lhe vejo
E nem se quer há um ensejo
Pra que eu possa te encontrar

Sei que há amores,
Alegrias, tantas dores,
Há espinhos e outras flores
Que você quer me contar

Amigo, eu estou longe
Mas não esqueço nosso tempo
Em que eu sempre estava atento
E você sempre a me ensinar

Meu grande amigo
Quisera eu ser a criança
Que eu guardo na lembrança
E novamente te chamar
Para brincar

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O Tempo

O tempo, esse inimigo
Da paciência, me veio
Outro dia, ao pé do ouvido,
Contar coisas que eu não sabia

Me contou historias
Dos homens e suas manias
De como passava rápido as noites
E como gostava de demorar os dias

Soprou-me um pouco de vida
Dizendo que eu ia precisar
Me mandou quebrar o relógio
E parar de me preocupar

Me explicou sua relatividade
E porque isso nos foge a compreensão
Se desculpou pelas mortes e
Pelas saudades pediu perdão

Foi embora e eu
Nem sequer percebi
Enquanto o tempo ficou
O quanto eu envelheci.